quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Meio dia! 40 graus à sombra. Fronteira da Mauritânia. Separam o grupo. Passaportes para um lado, condutores para outro… e eu, mais uma vez a única mulher, dentro do Peugeot 505, que tinha os estofos em lã, assando! A polícia e o pessoal que andava por ali ofereciam dinheiro e chamavam ao nosso carrito o "camelo do deserto", com um ar muito apreciativo. Foram muito simpáticos comigo, principalmente quando tive uma quebra de tensão do calor: fui para a sombra, lá para o sítio dos registos, ofereceram-me uma cadeira... uns queridos! Claro que muitas coisas da mala do carro foram depois "oferecidas" como presentes para as crianças!
O Eduardo, nem vê-lo! Mas há coisas incríveis: enquanto estávamos à espera, aparecem uns jipes cheios de antenas, transmissores, etc... e matrículas portuguesas! Eram do Clube de Aventura de Oeiras e não é que conheciam um dos Pedros que ia no nosso grupo?
A cara deles, quando olham para os nossos carros e para o Pedro, que conhecem de corridas de motos todas xpto... e depois dos cumprimentos, dizem:
"Saímos do Inferno, vamos agora para o Paraíso"...
Boa, pensei eu, agora vou eu para o Inferno. E se apanhasse já boleia com estes para o "paraíso" de onde saí?
Não, Dina Maria, chegaste até aqui!
Por volta das 7 da tarde, chegámos a Nouakchott. Após vistoria aos aposentos, saímos para jantar. Depois de tantas tagines, desforrámo-nos. Até sangria conseguimos beber! E ao lado da nossa mesa, sentam-se 3 tipos, que falavam com grande à vontade com as empregadas e com o dono. Mas quando ficaram sozinhos, falaram português! Metemos conversa, tirámos fotografias, e ficámos a conhecer o Zé Fachada! Trocámos e-mail, eles devem ter achado que éramos uns doidos (mas foi só até vos conhecer!!!) e fomos para o "nosso hotel".
26/03/2008
Assim que saímos do hotel/tenda, encontrámos um cruzamento. Tudo normal, mas em 3 segundos... o Eduardo passou e nós ficámos encurralados com centenas de carros todos a quererem ir para o mesmo lado. Onde antes eram 3 filas, passaram a ser 6... as bermas serviam para passar, os carros batiam uns nos outros.... uma coisa alucinante. Se um andava 10cm, vinha logo outro e encostava... nova batidela e buzinadela e, meia hora depois, aparece um polícia por cima dos capots que, por milagre, põe ordem naquilo!
Rosso: 11 da manhã. Tínhamos um funcionário da MSF, onde trabalha o Eduardo, para nos fazer passar a fronteira e os carros para o Senegal. As imagens que eu tenho de nós a chegarmos ao pé daquele portão enorme, esperando pelo senegalês, invadidos por miúdos que pediam tudo, subiam o capot do carro, batiam nos vidros, cobertos de moscas... é de horror e não vou escrever sobre isto, porque acho que fiquei um bocado traumatizada com o que vi nesta fronteira...
Chegou o senegalês, levou os passaportes, passado pouco tempo apanhámos o barco e estávamos no Senegal... Foi fácil, não demorou muito tempo, mas, se puder, não quero voltar a passar ali. Vou pela outra, mas se tiver um todo-o-terreno.
Do lado do Senegal, aparecem logo umas árvores e as cores das roupas também são mais garridas... África Negra!
Duas ou três horas depois, o amigo do Eduardo chegou e levou-nos o Renault 21, que foi para a Guiné. E nós metemo-nos à estrada em direcção a Dakar... mas estávamos mal habituados... as estradas da Mauritânia eram óptimas. Aqui, há imensos buracos e tudo se atravessa à nossa frente: cabras, pessoas, burros... Tivémos que ir com 1000 cuidados.
Chegámos a Dakar de noite e tirámos a barriguinha de misérias num excelente restaurante mesmo ao pé do Casino. Nessa noite, dormimos em casa do Eduardo, que, além de nos ceder dois quartos, ainda foi o nosso guia por Dakar.
A Dina chegou a Dakar, e a trilogia ao fim... mas a viagem não acabou. Há algumas histórias para contar, e a conclusão desta aventura fica para a próxima semana.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
21/03/2008
Com um sol magnífico na manhã seguinte, já não estávamos com pensamentos tão negros...
Essaouira é lindo: mar transparente, areia muito fina, o porto tem só barcos azuis e quando se entra na medina, há uma profusão de cores... nos tapetes, nos condimentos, nos cabedais. Rendidos ao chá de menta, tivémos que comprar folhas secas de hortelã, caril, óleo de "Argan", que faz bem à pele, ao cabelo e serve para temperar saladas.
Continuámos viagem por uma estrada fantástica. Parámos pouco antes de Agadir, numa praia de surfers e almoçámos... adivinhem o quê... tagine!!! Desta vez é de galinha!
Passámos Agadir, Tiznit, e fomos dormir a Sidi Ifni. A estrada para lá é um salpicado de cactos verdes e gordos... muito gira. Ficámos num hotel sobre o mar e jantámos mais uma tagine!
Por falar em tagine: vou explicar a quem não sabe o que é - imaginem uma caçoila de barro, mas em forma de pirâmide. Lá dentro, são colocados os legumes, batatas, a galinha, ou o peixe, ou o borrego… enfim, o que eles entenderem. O sabor (graças aos condimentos fortes e característicos da cozinha marroquina) é sempre o mesmo! É uma espécie de guisado... óptimo, mas depois de 3, 4, 5 refeições de "tagine”...
22/03/2008
Passámos Guelmim e almoçámos em Tan-Tan Plage - e apanhámos a 1ª multa. Ao sinal "Alto-Polícia" é mesmo para parar... mas como não vimos ninguém, andámos! De 400 Dh, conseguimos negociar para 100 Dh e uns pacotes de bolachas "Triunfo"...
Adorámos Tarfaya e a simpatia das pessoas… guardo boas recordações do sr. Mohammed! Com ele, aprendemos imensas coisas de Marrocos... e ainda nos levou a casa para beber um chá. Foram todos de uma simpatia... os filhos, a mulher, a hospitalidade foi inacreditável!
Seguimos viagem até Laayoune, de onde continuámos até ao Cabo Bojador... que desilusão! Até perguntámos onde estávamos, porque não nos parecia ser ali! Já nos estávamos a ver a fazer pose ao pé de um monumento ao nosso Gil, mas nada! Nem uma foto tirámos... a quê?!
Continuámos para Dakhla.
24/03/2008
Fomos aproveitar a praia e apanhar umas ondas. Mudámo-nos para um parque de campismo, onde pudemos assar uns chouriços que ainda estavam na mala do carro, sob o olhar desconfiado do pessoal do parque (nota: avisámos que era porco, mas não se fizeram rogados...)
O jantar foi mais uma tagine... agora de peixe, mas se me dissessem que era galinha, eu acreditava!

25/03/2008
Na estrada para a fronteira começámos a ver uns sinais com umas caveiras e uns carros todos ardidos... ó mãe! São campos minados!
Chegados à fronteira, começam as "formalités": o Eduardo, de jipe, foi afastado e desapareceu da nossa vista! Lá andámos à torreira do sol, passaporte para um lado, carimbo no outro, chama daqui, vai para acolá... e mulheres, nem vê-las. Só eu! Meio dia depois, a última das formalidades foi debaixo de uma árvore, com um polícia (calculo) cheio de calor. Travámos conhecimento com um mauritano que fazia esta viagem muitas vezes, e que se ofereceu para nos guiar pela "Terra de ninguém". Boa!
Do Eduardo, nem vê-lo. Íamos deixar um amigo para trás, porque eles mandaram-nos avançar e não dava para esperar do lado de lá da fronteira. É demasiado inquietante e perigoso!
Saímos e... eu não queria acreditar... É arrepiante!
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Na tradição das trilogias publicadas aqui no blog, temos esta semana a história de uma viagem – mas desta vez os protagonistas são outros.
Motivados pelo cancelamento do Dakar, um grupo de amigos decidiu ir de carro até ao Senegal (um deles era para ter participado na prova). E a única mulher do grupo, que por acaso foi quem nos ofereceu a “guitarra do Djaló”, aceitou contar algumas das peripécias desta aventura.
Até onde vais com 1000 euros apresenta...
1/3:
Dakar cancelado? Vamos para Dakar!
01/01/2008
Partimos para Lisboa, onde vamos deixar o Pedro para mais um Lisboa - Dakar.
03/01/2008
Recebo a confirmação de que foi cancelado o Dakar e que é necessário voltar a Lisboa para ir buscar o Pedro, que estava um bocado deprimido, pensando que este ano já não ia “sentir e ver o seu deserto”. Começa a nascer a ideia... ainda no caminho para Coimbra!
Confesso que ainda não tinha entendido esta necessidade constante de voltar a África, de ver as dunas, de sentir o cheiro... mas incentivei a ideia. Havia sempre a condição de termos que ir nas férias escolares, uma vez que sou professora e avaliada pela assiduidade. :)
Fomos falando da viagem aos nossos amigos, tentando arranjar um grupo maior, até porque estávamos um "bocadito" a medo relativamente à travessia da Mauritânia, dado os acontecimentos recentes... Houve logo um interessado, o Lamas, posteriormente apareceu o Pedro M. A ideia era comprar dois carros velhos; e quando chegássemos ao Senegal, vendíamos os carros e voltávamos de avião.
Angariámos mais um membro: o Eduardo, que vive no Senegal, é engenheiro numa empresa de construção portuguesa a trabalhar em Dakar e, quando soube que íamos fazer este trajecto, juntou-se a nós e assim levou o jeep dele para lá. Foi mais um apoio super valioso, veio a revelar-se uma pessoa muito divertida, "cool" – e fizemos um amigo!
19/03/2008
Partimos rumo a Dakar, nas nossas máquinas de 1982,. Lá descemos pelo nosso Portugalito fora, atravessámos para Marroco de ferry. Logo à chegada a Tanger, numa fila enorme, um dos carros foi abaixo e não pegava. Pensámos logo que ficava ali, mas era um mero fusível. Depois de trocado, já eram 3 da manhã e pernoitámos num Ibis marroquino (estranhíssimo, com umas misturas árabes mas em quartos que são todos iguais no mundo inteiro...).
20/03/2008
Chovia imenso e Tanger não é uma cidade bonita, mas em compensação, a aproximação a Rabat é magnífica: há muitos tons verdes, alaranjados e no cimo da colina aparece a mesquita. Passando Rabat, seguimos em direcção a Casablanca e depois El Jadida. Aqui, mais uma paragem do nosso fantástico automóvel, mas a manha do fusível já não era nova e depressa o trocámos.
Na estrada que liga El Jadida a Essaouira há gente na berma a fazer não se sabe o quê! Dá ideia que só estão a ver os carros a passar, uma vez que é feriado e não há centros comerciais, com cinemas e pipocas!
Finalmente, Essaouira... é muito bonito. Encontrámos hotel e fomos procurar comida! Estávamos esganados, pois o nosso almoço foi atum (de lata), tostinhas e fruta de conserva. Jantámos super bem, a 1ª refeição de "tagine" de quase todas as restantes refeições em Marrocos!
Aqui começou a haver dúvidas se continuávamos até ao Senegal: o restaurante era de um francês que vivia há uns anos em Marrocos. Pergunta atrás de pergunta, acabámos por lhe contar que íamos até ao Senegal, vendíamos os carros lá e regressávamos de avião. O homem achou que éramos loucos, que na Mauritânia íamos ser assaltados, e que assim, e assado e não saíamos pelo próprio pé da Mauritânia!!!
Começámos a ter dúvidas! E se de facto estávamos doidos? Depois do jantar, acabrunhados com tal conversa, fomos a pé andando, falando, e decidimos que íamos pelo menos até Dakhla, no sul de Marrocos, e logo se via se atravessávamos a Mauritânia!






