quinta-feira, 22 de maio de 2008


Há muito, muito tempo... havia aqui uma estrada.

Entre a fronteira de Marrocos e a Mauritânia, há 3km do que se chama “Terra de Ninguém”. E a tal estrada doutros tempos, ou o que resta dela, não vê obras desde... desde esses mesmos tempos. Atravessar este bocadinho do deserto é um desafio ao melhor sentido de orientação. Em redor dos vários trilhos e atalhos há carros, frigoríficos e sofás em vários estados de decomposição. Lixo por todo o lado – é que, como diz o nome, este bocadinho do mapa não pertence nem a um país nem ao outro, por isso não há quem se dê ao trabalho de manter o sítio... digamos... limpo. Não há manutenção, não há segurança – não há hipótese.

Dei por mim, enquanto tentava perceber o porquê de tanta porcaria em tão pouco espaço, a fazer um exercício de imaginação. Uma avaria. Um carro cheio de coisas, o motor vai abaixo e não há quem o arranje, porque ninguém pára na Terra de Ninguém. Encontrar um mecânico com passaporte, que se disponha a atravessar uma fronteira para resolver uma avaria, não deve ser fácil. E tendo em conta que a oficina mais próxima fica a 50km, na Mauritânia, ou a 80 do lado marroquino... só o tempo de ir-e-voltar é o suficiente para o carro ser completamente pilhado. Na Terra de Ninguém, não há polícia para ir “apresentar queixa” – e as mesmas pessoas que temem ficar apeadas são as primeiras a aproveitar-se de quem teve o azar de deixar alguma coisa para trás.

No fim das contas, ficam os esqueletos. Fantasmas ferrujentos que são como um aviso: passem com cuidado, mas passem depressa.

by Jorge

4 comentários:

pescadorDigital disse...

Então tomem cuidado para que não se tornem num desses "apeados" que depois se transformar em salteadores dos "apeados" que vêm depois.
Boa sorte para o caminho que resta para Dakar, agora que já passaram metade do caminho que falta, acho eu!
A Mauritânia não é nada fácil, por histórias que li, lá por todo o lado há polícias corruptos a tentar tramar os turistas incautos.

Gisela disse...

Passem depressa please... Aproveitem cada segundo a vossa aventura esta a ser maravilhoso e um prazer estar deste lado a sentir um bocadinho do que por aí vao vivendo.Sao os maiores. Vibraçoes ++++++++++. Mil beijinhos from this side of the rainbow.

Anónimo disse...

Olá Jorge
Essa terra de ninguém que tão bem descreveste, é uma coisa assustadora de inóspita,perigosa e ainda com uma pincelada urbano-depressiva de lixeira de suburbio .
Pior impossível!
Mas já passou e viva a aventura!
Que a vossa boa estrela continue a brilhar , que por cá continuaremos a rezar aos santos da nossa devoção.A.L.

Anónimo disse...

Realmente,todos temos que pertencer a algo e todos temos que ter algo...Se nao tudo e um "caus".


madrinha