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quinta-feira, 20 de março de 2008

Não somos BTTistas

Tecnicamente uma nulidade, de mecânica uma nódoa e quando regressarmos Lisboa, é mais provável chegar aos Domingos de manhã com o cabeção a andar à roda do que a dar ao pedal. A Mikelina e a Penélope garantem-nos que, quando voltarem, só saem à rua vestidas de pasteleira.

Mas já temos com certeza algo em comum com esta comunidade – o prazer da coxa a entrar no piloto-automático, de atingir um topo a suar em bica para nos refrescarmos na descida seguinte, entrar onde os motores não entram, viajar com um minimalista ruído da corrente e o da combustão silenciosa do corpo.

Talvez por esta razão temos recebido dos BTTistas um apoio que nos dá aquela pedalada extra. Esclarecemos aqui algumas das suas dúvidas.

Fisicamente

As poucas dores concentram-se na coxa – nada mais. Acreditem ou não, a bunda não se ressentiu. Zero! Temos uma capa de gel de 7 € e fomos esperando pelas tão badaladas dores, em vão. Talvez o facto de dormirmos no chão e termos tantos km pela frente dê uma ajuda psicológica. Vimos prevenidos com gel para assaduras, tendões, dores musculares, suplementos disto e daquilo, algumas mezinhas e muitos truques. Mas tirando comer uma banana em jejum para reforçar o magnésio (o Jorge é fã) ainda está tudo por estrear. Muita água, barras de cereais e massinha à noite têm chegado para o esforço.





Penélope

A Vera (minha irmã) pagou 70 € por ela, em 2ª mão. Deu uns passeios, planeou outros, mas a rodagem foi quase toda feita pelo primeiro dono. Não tem descanso, comprei um em Lisboa mas nunca o cheguei a pôr. Ficou em casa da Astrid, em Matalascañas. O encaixe do banco partiu-se, de tanto a levantar, e está um pouco bambo. Flui nas estradas como um rio no mapa, e tem a mania de cantar baixinho, como se fosse a rezar – mas é só de vez em quando, ainda não percebi porquê.

Mikelina

Custou 50 €. Estava há 6 anos numa cave dum amigo que a emprestou, (obrigado Gonçalo!). O Fernando (ver filme “preparativos”), um mecânico impecável, trocou-lhe a pedaleira, corrente e jante do pneu de trás por peças usadas. A corrente saltou duas vezes, as mudanças estão desafinadas. O carreto da frente nunca o tiro do meio. Nas descidas mais íngremes trava-se a fundo e ela vai andando.


domingo, 16 de março de 2008

#03 - Andaluzia


Estamos no parque de campismo mais a sul da Europa! Daqui só há um caminho... para o ferry!

Mas enquanto não damos mais notícias, já de Marrocos, fica o video desta semana, que tanto ou tão pouco trabalho nos deu que, segundo uma senhora aqui do camping, já saía fumo das nossas cabeças.

Temos de fazer uma homenagem muito especial à Astrid e ao Ricky... havia tanta coisa para pôr no vídeo que não foi possível dar-lhes o merecido destaque. Mereciam uma longa-metragem! Seja pela ajuda que nos deram, como pela quantidade de material que temos com eles.

A Astrid nasceu na Porto Rico, cresceu em Madrid, estudou nos EUA e trabalhou em Madagáscar, antes de se fixar em Doñana para salvar o lince ibérico da extinção. O Ricky, americano, além de artista é um verdadeiro MacGiver. Fez uma Volta ao Mundo de bicicleta e desceu o rio Niger, durante 4 meses, de canoa! Quem disse que de Espanha não vêm bons casamentos?

A nossa tarde em El Rocio vai ter de ficar para outro video, também merece destaque. E quanto à sequência final do vídeo... não há palavras!

sexta-feira, 14 de março de 2008


Ontem, ao telefone para a “Prova Oral” da Antena 3, veio à baila os encontros imediatos com animais. É que ainda antes de partirmos, no programa “Nuno e Nando”, o Fernando Alvim assumia o seu pavor de bichos e perguntava-nos se não nos atemorizavam. Num encolher de ombros dissemos que não – até porque somos da geração que, aos domingos à tarde, gritava voltados para um programa de TV “Os animais são nossos amigos!”.

Passadas três semanas, assumimos o erro: os labradores, as vacas leiteiras e os peixinhos de aquário são nossos amigos, mas alguns dos bichos que temos encontrado nesta viagem não. E já lá vão três:

1.
Primeira noite de campismo selvagem e as pernas imploram descanso. Sentados para o calor da fogueira, sentimos qualquer coisa a rastejar por baixo da folhagem. Um pauzinho para encontrar o escaravelho ou familiar, e salta-nos um lacrau do tamanho dum dinaussauro, com o espigão em riste. Ainda estamos a tirar o queixo do chão e já ele foge como um rato para baixo das pedras. Resultado: um jantar volante forçado, com mil bichinhos imaginários a subir-nos pelos tornozelos. As tendas foram seladas com tape, just in case.


2.
À entrada de Tavira, ficamos boquiabertos com o tamanho e a espessura duma nuvem de mosquitos. Nunca tínhamos visto tal coisa. Mas quem quer chegar a Dakar não pode temer borbulhas e comichões, por isso avançamos com garra de Camisola Amarela. Duas pedaladas depois, eis que zumbem, na nossa direcção, três nervosas abelhas. Encostamos as meninas aos rails e esperamos, com o rabinho entre as pernas, que o vento mude.


3.
Carlos para Jorge, ao acordar junto a uma ruína, à saída de El Puerto de Santa Maria: “Epá, ontem á noite vi a silhueta dum bicho com bigodes, encostado ao lado de fora da tenda.”

Jorge responde: “Deve ter sido um sonho, ou então foi do vinho!”

Minutos mais tarde...

Carlos, enquanto desmonta a tenda: “Ó Jorge, vem cá ver isto!”

E "isto" era um buraco, igual aos do Tom & Jerry. A tenda estava roída de fresco, e o pão do pequeno almoço a meio! Os animais são nossos amigos? Ainda bem que não passou dum sonho.


quinta-feira, 13 de março de 2008




Mikelina, mais rija que um pau de marmeleiro

Mikelina soa a escape tunning do Feijó mas o nome tilintou como jackpot na cabeça por outra razão – presto aqui uma singela homenagem à minha já falecida tia-avó, a Miquelina. As semelhanças acumulam-se:

Também era meio-asiática (tenho bisavô indiano) mas de exótico só trazia o mau feitio e um cabelo em forma de penico. Chiava e gemia intermináveis conversas sempre com o mesmo disco riscado, e todos os Natais oferecia-me uma pasta colgate dizendo solenemente - “Para lavares os dentinhos!” perante o meu olhar sempre incrédulo.

E assim foi vivendo ano após ano, rija como um pau de marmeleiro. Trago-a num pedestal da minha memória, não pelo seu valor como tia-avó mas pelos inesperados caminhos (mentais) por onde me levou. Que esta siga o mesmo caminho!
by Carlos


Penélope, la reina de las glorietas

Penélope, porque não consigo resistir a este nome. O primeiro post a sugeri-lo deixou-me logo com alguma comichão, e quando percebi que havia mais adeptos... também me juntei à causa.

Tem muito salero – e isso deve ter contribuído, já que a passagem por Espanha tem sido uma revelação. Há qualquer coisa de musical no nome: sempre que o oiço, consigo imaginar a minha bike a deslizar pelas rotundas, graciosa e leve, brilhando ao sol. Ou não tivesse o cognome de “reina de las glorietas”!

No tempo em que os “parolos” colavam no rabo dos carros uma moça de longos cabelos e chapéu andaluz, uma amiga ofereceu-me um autocolante. Acompanhou-me por muitos anos, colado a um aquecedor a óleo, tornando quentes as noites frias do Inverno de Sintra. E agora é a bicicleta, de Penélope baptizada, que metade-dentro-da-tenda, metade-fora, me acaricia os pés todas as noites.
by Jorge



Até agora:

Mikelina – a corrente saltou duas vezes
Penélope – partiu-se um encaixe do banco

Fora isso, estas duas meninas de famílias humildes estão a portar-se como duas rainhas.



Vimos, pela primeira vez nesta viagem, o continente Africano. Estávamos a chegar a Zahara de los Atunes (onde estamos acampados) por uma estrada junto à costa, e eis que de repente lá o vemos, escondido na névoa, na linha do horizonte. Isto ao fim de um dia marcado por um novo recorde de quilómetros percorridos – nada mau.

Voltando um pouco atrás: acabámos por não sair à noite em Porto de Santa Maria. Ainda em Matalascañas, achávamos que ia levar dois dias a lá chegar... mas a travessia de 30km de praia – pela areia! – foi mais rápida do que pensávamos, e ao fim do dia já estávamos em Porto de Santa Maria. Sendo segunda-feira em época baixa, e porque o orçamento já levou cortes suficientes durante a semana que passou, acampámos à saída da cidade.

E depois... pedalámos. E pedalámos. A manhã inteira, e toda a tarde: pedalámos. Com uma vontade enorme de chegar depressa a Marrocos, esforço q.b. e uma paragem para ver uma bicicleta-limousine, fizémos... 91km!

quarta-feira, 12 de março de 2008

Post via sms

Já vemos África, batemos um recorde de distância e escolhemos os nomes das meninas! Internet é que nem vê-la. Amanha actualizamos tudo.

Bjs e abraços

segunda-feira, 10 de março de 2008

Quanto custa?

A pedido de várias famílias, deixamos aqui um descritivo dos custos da viagem. Não é um estudo exaustivo, mas podemos esclarecer todas as dúvidas, se as houver.



A grande fatia deste orçamento é gasta em comida. As estadias, como já dissémos, foram quase todas gratuitas. Nota-se bem, neste quadro, os dias em que tivemos de pagar para dormir. Em Huelva pagámos 24€ numa pensão que nem nome tinha; e aqui em Matalascañas, as primeiras três noites dormimos num bungalow com vista para o mar que nos custou 25€/noite. Ontem a conta disparou, claro. E não foi só pelo bungalow!


Tínhamos ido passar o dia a El Rocio, a 15km daqui, e no regresso o autocarro ignorou-nos, o que nos deixou com duas opções:


1. pedir boleia (tentámos durante 20 minutos, mas sem sucesso)


2. chamar um táxi (foi o que acabou por acontecer, e o Luis Carlos cobrou a módica quantia de 20€ pela corrida! Foram - e espera-se que sejam - os quilómetros mais caros desta viagem)


Depois do rombo de hoje (5% do orçamento total!), vamos ter de nos conter nos próximos dias. Queríamos parar em Puerto de Santa Maria e espreitar a night... mas parece-nos mais sensato poupar. Aceitam-se sugestões.




A juntar a estes 158,65€, há ainda 112€ dos preparativos e do arranque, até Vila Fresca de Azeitão. Vamos, portanto, com 270,65€ gastos, cada um.

sexta-feira, 7 de março de 2008


Subir os Pirinéus é de campeão. Subir uns Pirinéus vestidos de planície Andaluz, com os seus campos solarengos, é para deseperar.

Foi isso que nos aconteceu nesta entrada em Espanha: ventos fortíssimos e constantes (em cheio nas nossas caras de frustração) tornaram o que se previa um passeio no parque - o momento de glória rumo à praia - num teste à nossa santíssima paciência.

Resultado: as bicicletas ganharam um travão de mão com vida própria e comemorámos a chegada a Matalascañas com mais fulgor.




Distância percorrida na 3ª: 27km (22 em Portugal, 5 em Espanha)

Distância na 4ª feira: 55km (de Ayamonte a Huelva, 35km com vento forte de frente)

Ontem: 53km (de Huelva a Matalascañas, ainda com muito vento)

Quanto a custos, fica uma estimativa até termos o gráfico pronto: nos primeiros 15 dias de viagem, gastámos cerca de 110 euros cada, quase tudo em comida. E vinho. Em Huelva, pagámos pela primeira vez por uma estadia.