Mas já temos com certeza algo em comum com esta comunidade – o prazer da coxa a entrar no piloto-automático, de atingir um topo a suar em bica para nos refrescarmos na descida seguinte, entrar onde os motores não entram, viajar com um minimalista ruído da corrente e o da combustão silenciosa do corpo.
Talvez por esta razão temos recebido dos BTTistas um apoio que nos dá aquela pedalada extra. Esclarecemos aqui algumas das suas dúvidas.
Fisicamente
As poucas dores concentram-se na coxa – nada mais. Acreditem ou não, a bunda não se ressentiu. Zero! Temos uma capa de gel de 7 € e fomos esperando pelas tão badaladas dores, em vão. Talvez o facto de dormirmos no chão e termos tantos km pela frente dê uma ajuda psicológica. Vimos prevenidos com gel para assaduras, tendões, dores musculares, suplementos disto e daquilo, algumas mezinhas e muitos truques. Mas tirando comer uma banana em jejum para reforçar o magnésio (o Jorge é fã) ainda está tudo por estrear. Muita água, barras de cereais e massinha à noite têm chegado para o esforço.
Penélope
A Vera (minha irmã) pagou 70 € por ela, em 2ª mão. Deu uns passeios, planeou outros, mas a rodagem foi quase toda feita pelo primeiro dono. Não tem descanso, comprei um em Lisboa mas nunca o cheguei a pôr. Ficou em casa da Astrid, em Matalascañas. O encaixe do banco partiu-se, de tanto a levantar, e está um pouco bambo. Flui nas estradas como um rio no mapa, e tem a mania de cantar baixinho, como se fosse a rezar – mas é só de vez em quando, ainda não percebi porquê.
Mikelina
Custou 50 €. Estava há 6 anos numa cave dum amigo que a emprestou, (obrigado Gonçalo!). O Fernando (ver filme “preparativos”), um mecânico impecável, trocou-lhe a pedaleira, corrente e jante do pneu de trás por peças usadas. A corrente saltou duas vezes, as mudanças estão desafinadas. O carreto da frente nunca o tiro do meio. Nas descidas mais íngremes trava-se a fundo e ela vai andando.











