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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Tarfaya, Sahara Ocidental (Abril de 2008).

O computador avariou há pouco mais de 24 horas e está nos Cuidados Intensivos do cybercafé Dunas. Fomos "contratados" pelo Sr. António para fazer um blog da cidade, um arquivo fotográfico e um logotipo para a sua transportadora de carga - em troca de um apartamento com televisão, cozinha e duche quente, e uma senhora que lá vai todos os dias para limpar e cozinhar. Viv'o luxo! :)

Os nossos novos amigos Mohammed, Salem, Walid, Ashraft e Youssef convidaram-nos para uma pescaria de dois dias, vamos ficar a dormir numa barraca de pescadores, numa praia deserta, a uns 20km da vila.

É preciso um táxi. Parece simples?

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Regressar em transportes públicos, depois de vir para baixo a pedalar, vai parecer uma viagem de foguetão!

Assim pensávamos, à saída do Senegal, já com a vida a chamar-nos de volta a Portugal e a força de ter cumprido um dos principais objectivos do projecto. Mas olhando com outros olhos para o mapa, de Dakar a Lisboa ainda é um bocado. E há que contar com os filmes nas fronteiras, os autocarros que param para os passageiros rezarem, ou para comprarem melancias, ou porque simplesmente avariam e é preciso esperar cinco horas por uma peça – nem pensar em trocar de viatura! Além disso andamos amolecidos (não temos a Mikelina e a Penélope a chiarem-nos ao ouvido e a pedir “só mais um quilómetro!”) e temos reencontros marcados com alguns dos melhores amigos que fizemos nesta viagem.

Viemos por isso numa espécie de balão de ar quente mental, a pairar pacatamente sobre as memórias destes quatro meses, e a disfrutar dos últimos dias em África.

A par disto, esperamos também os camiões da S.T.A., a transportadora do Sr. Gabriel que nos ofereceu uma boleia de Casablanca para Portugal e que faz o trajecto regularmente. Sendo que esta era a parte que nos ía sair mais cara – pois inclui o ferry e autocarros já a preços europeus –, acabou por sobrar os últimos trocos dos 1000 euros; que gastámos em Agadir, e agora em Al Jadida, enquanto fazemos tempo.

E por falar em fazer tempo: ainda estamos embasbacados com o que renderam estes 1000 euros.

Depois de vários reencontros mais ou menos inesperados, espera-nos a familia, os amigos e toda a vida em Portugal. Esse é o maior reencontro, pelo qual estamos ansiosos. Partimos hoje ao final do dia, Inchalah, para os últimos dias de viagem.

E não se esqueçam! Votem em nós! Quanto mais depressa melhor, para irmos subindo no ranking!

sábado, 5 de julho de 2008

Fazer tempo em El Jadida

Muita praia. Musica berbere. Djs Mexicanos. Copos. Alpha Blondy. Areia. Ainda ontem nos viemos embora de Agadir, e ja temos saudades destes dias de férias. Enfiamo-nos num autocarro durante 10 horas, so para chegar a Casablanca e perceber que afinal o camiao so sai na segunda-feira. Ou seja, tinhamos tres dias sem nada para fazer... em Casablanca?!

Entramos noutro autocarro, no meio de uma confusao de gritos, empurroes e tentativas de socos - e viemos para El Jadida, uma cidadezinha a hora e meia de Casablanca, com praia e uma cidadela portuguesa.

Quanto a chegada... estamos atentos aos comments, mas é muito dificil prever o dia exacto... quanto mais uma hora. Ainda nem sabemos onde é que nos vao deixar. Na segunda-feira, quando sairmos, vamos tentar perceber se a transportadora consegue dar uma ideia - mas isto nao eh um transporte publico, com horarios e paragens. Ou seja: vamos tentar organizar qualquer coisa, dentro do que for possivel. Se der para ser a chegada, "ao vivo", melhor. Se for impossivel marcar uma hora e um sitio, combinamos uma churrascada algures, no fim de semana a seguir. Aceitam-se sugestoes.

And last but not least!

Ja comecaram as votacoes dos Super Blog Awards! Estamos na categoria "Cultura, Arte e Entretenimento". Toca a votar! Primos, tias e piriquitos tambem podem votar, por isso espalhem a palavra!

terça-feira, 1 de julho de 2008

So paramos em Lisboa

Estamos em Agadir... quase de partida para Lisboa!

O regresso a Marrocos foi outra epopeia de quase 48 horas, de Nouadhibou a Guelmim - onde reencontramos dois amigos desta viagem, o Habib e o Said. O plano era seguirmos directos para o Festival Gnaoua, em Essaouira - mas ja chegamos tarde a Guelmim, fica para o proximo ano.

Mas como sempre, ha uma estrela a brilhar por esta viagem - e nao é que em Agadir começa hoje um festival berbere, de musicas do mundo... onde vao actuar Youssou NDour e Cheb Khaled, presentes na banda sonora dos nossos filmes? Ha coincidencias dificeis de explicar. E se acrescentarmos Alpha Blondy e mais alguns nomes bem respeitaveis, temos todas as razoes para afirmar que este é um belo final de viagem. Ainda por cima, de entrada gratuita - e dormimos na praia!

Como ja estamos em "descompressao", esta semana estamos um bocado para o preguiçosos... o video do regresso sera feito assim que chegarmos a Lisboa, que deve ser la para o fim-de-semana. E nos proximos dias, deixamos alguns Momentos muito especiais, enquanto esperamos pelo camiao que nos leva de boleia, e que sai de Casablanca. Assim que ele der sinal de partida, enfiamo-nos num autocarro para ir la ter - e la vamos nos, so paramos em Lisboa!

quinta-feira, 22 de maio de 2008


Há muito, muito tempo... havia aqui uma estrada.

Entre a fronteira de Marrocos e a Mauritânia, há 3km do que se chama “Terra de Ninguém”. E a tal estrada doutros tempos, ou o que resta dela, não vê obras desde... desde esses mesmos tempos. Atravessar este bocadinho do deserto é um desafio ao melhor sentido de orientação. Em redor dos vários trilhos e atalhos há carros, frigoríficos e sofás em vários estados de decomposição. Lixo por todo o lado – é que, como diz o nome, este bocadinho do mapa não pertence nem a um país nem ao outro, por isso não há quem se dê ao trabalho de manter o sítio... digamos... limpo. Não há manutenção, não há segurança – não há hipótese.

Dei por mim, enquanto tentava perceber o porquê de tanta porcaria em tão pouco espaço, a fazer um exercício de imaginação. Uma avaria. Um carro cheio de coisas, o motor vai abaixo e não há quem o arranje, porque ninguém pára na Terra de Ninguém. Encontrar um mecânico com passaporte, que se disponha a atravessar uma fronteira para resolver uma avaria, não deve ser fácil. E tendo em conta que a oficina mais próxima fica a 50km, na Mauritânia, ou a 80 do lado marroquino... só o tempo de ir-e-voltar é o suficiente para o carro ser completamente pilhado. Na Terra de Ninguém, não há polícia para ir “apresentar queixa” – e as mesmas pessoas que temem ficar apeadas são as primeiras a aproveitar-se de quem teve o azar de deixar alguma coisa para trás.

No fim das contas, ficam os esqueletos. Fantasmas ferrujentos que são como um aviso: passem com cuidado, mas passem depressa.

by Jorge

Não aceites boleias de estranhos, não andes de bicicleta à noite, cuidado-com-isto, cuidado-com-aquilo... por muito que as nossas mães nos tenham avisado, desde pequenos, é irresistível chegar a este ponto da viagem e não fazer o que fizemos.

E o que fizemos foi esticar o polegar e pedir boleia, noite cerrada, à saída de Bojador, para “despachar” o mais depressa possível os 680km que nos separavam da Mauritânia. Não temos por hábito pedalar à noite, mas fomos às escuras até ao primeiro posto de polícia, a 6km da cidade, e aí nos instalámos à espera que uma alma caridosa nos levasse para baixo.

A noite passou devagar, a lua quase cheia atravessou o céu e mergulhou silenciosamente no mar. Houve tempo para dormir e tempo para conversar, para ouvir música, partilhar cigarros e beber chá. E quando um dos polícias conseguiu uma boleia para nós, já passava das duas da manhã. Bicicletas e bagagem arrumadas em cima do camião, que transportava ácido de baterias para Nouakchott – e nós lá para dentro, encaixados como sardinha em lata com os outros três viajantes.

Apresentações feitas, seguimos viagem. Avançámos 150km... em três horas... e parámos num posto de gasolina, para descansar. Bebemos café às escuras... o céu começou a clarear... e quando achávamos que íamos voltar à estrada,“Vamos dormir um bocadinho...”

Assim foi o resto do percurso. Acordámos às dez da manhã, conformados com a ideia de que tínhamos apanhado boleia do Camião Mais Lento do Sahara. E entre paragens de cinco horas, pausas para descanso e mais uma noite a dormir numa bomba de gasolina, demorámos ao todo 36 horas até chegar à fronteira. Trinta e seis, em extenso para que não haja dúvidas!

Foi uma viagem dentro da viagem. E depois dos últimos 40km numa estrada rodeada por minas e uma paisagem espectacular, eis-nos prestes a entrar num país novo, passaportes no bolso ansiosos por mais um carimbo, expectativas ao rubro porque outras histórias nos esperam.

by Jorge

Arrancámos para o Cabo Bojador de Foum Al Oued – a praia perto de Laâyoune – e tirámos da cartola um recorde de 107km logo no primeiro dia. E foi mesmo da cartola, já que as nossas pernas ainda andavam amolecidas pela vida urbano-sedentária de Tarfaya – casa, escritório, casa, naquele stress que todos sabemos. Mas uma valente nortada deu-nos o empurrão que precisávamos, e fomos à vela com umas pedaladas tipo turbo pelo meio.

Chegámos ao Bojador – uma cidade sem o brilho das outras no Sahara Ocidental – e não conseguimos esconder os sorrisos, à medida que o ego inchava. Finalmente estávamos nesse Cabo que Portugal dobrara, quebrando mitos de monstros marinhos e fazendo história pela mão da sua imensa coragem, audácia e sabedoria. E lá fomos à procura do glorioso passado português.

“Monsieur, vous savez c’est out le Cap Boujdour?”

“Le Cap Boujdour? Quel Cap? Il N’y a pas un Cap ou Boujdour!”

Rimo-nos para dentro, explicámos que éramos portugueses e que concerteza havia um Cabo com esse nome já que os nossos antepassados o tinham dobrado pela primeira vez há 500 e muitos anos, num marco que redefiniria para sempre o curso da humanidade!

“Un Cap ou Boujdour…? Je croix pas…”

Continuámos à procura sem sucesso, ninguém conhecia um cabo na zona – velhos, novos, polícias ou estudantes – e arrancámos cabisbaixos para a infinita sabedoria da wikipedia. Estava lá tudo em detalhe – até imagens de satélite – e espante-se, era mesmo ali a um passo do centro da cidade!

Arrancámos airosos e nas nossas cabeças já podíamos ver uma imensa “boca do inferno”, quem sabe até um monumento a Portugal. Nada mais errado. Chegámos, olhámos à volta, e era uma brochura das Seychelles, com um casal de namorados a fazer um piquenique, e vários barquitos de pescadores a dobrarem calmamente o Cabo Bojador carregados de peixe. Estaríamos no sítio errado? Ainda não sabemos, mas acabámos o dia a “viajar” para o Jardim do Adamastor, no Miradouro de Sta Catarina em Lisboa, com uma cerveja gelada sobre o Tejo. Quando voltarmos, estamos lá!

by Carlos

sexta-feira, 16 de maio de 2008

HELP!

Parece de propósito.

Ontem à noite publicámos a história do nosso encontro com o Stephan, há quase um mes. E agora mesmo recebemos um e-mail dele... fica aqui transcrito - e se algum BTTista puder ajudar, óptimo.

for serious mountainbikers from portugal, please translate the invitation. Or tell them to mail me or my forum in english :)

My trip is stuck in marakesh atm since my oh-so-hightec bike broke for good (freewheel died). I cannot get the required parts in morocco, so will probably take a train to tanger tonight and then try my luck in spain. Good luck in deep africa!<br>
O e-mail do Stephan é stefan@stuntz.com

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O Zorro dos Alpes





Era noite cerrada e estávamos a fazer o jantar numa praia isolada, quando se aproxima um vulto de dois metros na nossa direcção. Saudamos ao longe e responde-nos um «hello» carregado de pronúncia alemã! Nem queríamos acreditar em tão improvável encontro. O Stephan, que nos cumprimentou como se estivéssemos na entrada duma guesthouse, está a fazer Canárias - Alemanha em Mountain Bike.

A viagem chama-se "The Snake: von La Palma zum Gardasee"
e tudo o que não tenha inclinação é para ele um longo bocejo - o nosso trajecto, provavelmente, um sono profundo. Tem a bagagem contada em gramas, dorme ao relento e não traz kit cozinha. Nem uns bolinhos para a travessia do deserto!

No dia seguinte, veio ter connosco meio descalço a perguntar se lhe tinhamos feito uma praxe de cicloturista e roubado um dos ténis - com 21 gramas e sola de titânio. Acabou por ser o Jorge a seguir vários rastos de cão, até encontrar o sapato largado à beira da estrada... quase uma hora depois!

Quando se está em viagem, encontram-se sempre viajantes muito mais loucos e arrojados que nós, e se por um lado é um alívio pois sentimo-nos logo com alguma sanidade e bom senso; por outro torna-se um "perigo", pois são sempre estes quem mais nos inspira. Dormir ao relento e viajar leve como uma pena? Não é má ideia...


As aventuras do Stephan estão em
www.alpenzorro.de

sexta-feira, 9 de maio de 2008

New Look

Mudámos as polaroids de boas-vindas, e o tema da nova estação é "Deserto". Esperamos que gostem.

Uma mudança de visual foi o que ontem à noite nos aconteceu, quando nos vimos descalços, sem saber onde estávamos, numa rua escura de Laayoune. E porquê? Lembram-se de termos finalmente "quebrado o gelo"...?

Vamos por partes: primeiro um esclarecimento, porque parece haver um mal entendido no blog, pelos comentários que temos lido. As raparigas que apareciam nos últimos Momentos (e que tivémos de apagar, a pedido delas) não são as mesmas com quem "quebrámos o gelo". Essas, além de serem mais velhas, também não nos deixaram publicar as fotografias aqui (como já se estava à espera, infelizmente). Ficam para mostrar aos amigos, quando chegarmos a Lisboa.

E por falar nas fotos que tivemos de tirar, fica aqui o email delas, na íntegra, curto e grosso: "plize face protogfo fige is image is proplim is prather". Para mais esclarecimentos, não hesitem em contactar-nos. ;)

E agora a mais recente peripécia. Fomos convidados pelas nossas amigas para um serão na sua casa de Laayoune, uma vez que os pais tinham ido para uma festa no deserto. Eis senão quando, cinco minutos depois de termos entrado em casa, estávamos a dançar músicas árabes na sala, alguém toca à campainha.

Foi tudo muito rápido: praticamente sem perceber como, fomos expulsos pela garagem, e só uns minutos depois nos vieram dar as meias e os sapatos. E para que não haja mais mal-entendidos, estávamos descalços porque é costume tirar os sapatos nas casas muçulmanas!

Quanto à campainha: uns tios tinham resolvido fazer uma visita-surpresa, e por muito que as miúdas insistissem que não estava ninguém em casa, eles não arredaram pé. E eis-nos na rua, a trocar mensagens com elas até percebermos que a festa acabou definitivamente; e a telefonar ao filho do sócio do sr. António, para nos vir buscar vá-se-lá-saber-onde.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Aula de ingles

Ontem acabamos no Instituto de Superior de Ciencias e Estudos Tecnologicos de Laayoune, no ultimo folego para ressuscitar um computador que se tornara numa maquina com vida propria, crises de identidade e flutuaçoes de humor.


Fomos recebidos de braços abertos e acabamos em mais uma permuta (esta espontanea pois nao nos iam cobrar nada) : um computador fresco como uma alface a troco duma aula de conversaçao em ingles. Estivemos duas horas numa especie de mesa redonda, moderada pelo professor, a falar dos mais variados assuntos, sem tabus- viagens, religiao, George Bush, Sahara Ocidental, os sonhos dos jovens Marroquinos, os nossos, a mulher no mundo arabe. E ainda nos levaram numa visita guiada a Laayoune. Bela permuta sim senhora!


E por falar na condicao da mulher no mundo arabe, hoje tivemos que apagar as duas fotos dos momentos Tarfaya onde apareciam as nossas "amigas do cyber cafe" (finalmente tinhamos conseguido "autorizaçao" para publicar fotos de amigas no blog). Ao que parece os pais é que nao acharam muita piada a tamanha exposiçao e recebemos um mail delas nesse sentido.


Continuaremos a tentar!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Laayoune

Ja estamos em Laayoune, 100 km mais perto da Mauritania. Enviamos mais noticias brevemente.

sábado, 3 de maio de 2008

Finalmente pegamos na Penélope e Mikelina, mas apenas alguns km para espreitar o Ferry "Assalama", entretanto ja meio afundado, como se pode ver no video. Disseram-nos que ja nao saira do sitio, e preve-se mais um barco a caminho da ferrugem como tantos outros que ja nos cruzamos.


Nos é que vamos finalmente desencalhar de Tarfaya e do que tem sido quase uma viagem dentro da viagem - viver e sentir uma "rotina" em pleno Sahara Ocidental. Mas as meninas ja buzinam para se ir embora, as nossas cabecas estranham uma noite bem dormida numa tenda no meio de nenhures e verdade seja dita: olhando para o dinheiro que nos sobra bem podemos partir para Dakar!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

BREAKING NEWS

O ferry para as Canárias encalhou com 147 pessoas a bordo e quase 40 carros. Filmámos os pescadores a fazer a operação de salvamento e falámos com algumas pessoas que estavam no barco. Assim que for possivel, mostramos qualquer coisa. Estamos a enviar imagens para a RTP e SIC. Ate já.

Cá estamos. Hoje foi um dia bem diferente do habitual, numa correria com o Ali - o braco direito do sr. Antonio - entre o porto, o lugar onde está o barco, o hospital e a Camara Municipal. Infelizmente, porque o Sahara Ocidental e uma zona militarizada, foi complicado recolher testemunhos de toda a gente com quem falámos.

Quem diria que uma terra tão pacata podia viver um dia assim, com 3 helicopteros e 2 avioes da Marinha a sobrevoar constantemente o porto, entre toda a confusão que já se está a espera.

Deixamos hoje umas fotos, assim que editarmos alguma coisa dos videos, ja se sabe.







segunda-feira, 28 de abril de 2008

Charnel n.5

A televisão da casa nova é da Sonyc. Fomos à procura de um desodorizante – a única coisa que encontrámos foi um Dvoe. E ainda nos tentaram impingir um Charnel n.5.

Esta foi uma semana pródiga em imitacões – e irritações: ganhámos muitos cabelos brancos com piratarias de viela, que nos pregaram rasteiras a toda a hora – bugs, cracks, tryouts expirados e assim por diante. Depois da mercearia, acreditámos que a solução de todos os nossos problemas estava no cyber… mas já demos tantas voltas e reviravoltas – e muito pouco mudou. À excepção do CD do Corão em português que nos ofereceram, quase nada funciona no renascido computador.

Optámos por desinstalar quase tudo, arranjámos um programa de edição de recurso, e amanhã seguimos para Laayoune, onde provavelmente nos espera um Channil, Chamel, ou outra versão ainda mais surpreendente do famoso perfume. Enfim: ossos do ofício.

O vídeo que hoje publicamos é um apanhado dos dias passados em Guelmim, na companhia do Habib, do Said e do Mostapha; e da viagem até Tarfaya, com um pitstop em Tan-Tan e muitos camelos, barcos encalhados, areia e vento. Demos-lhe o subtítulo de ‘versão desenrascada’, porque ainda temos a esperança de ver este problema completamente resolvido. A ver vamos.

Esta semana promete: o sr. António volta de Las Palmas e temos muito que trabalhar – o que não põe em causa o blog, claro. Temos momentos, vídeos e histórias de tudo o que aconteceu para além da novela do vírus. E não foi pouco!

Como é que diz o ditado? Quem não caça com cão, desenrasca-se com gato. Qualquer coisa do género. E não se fala mais nisso. ;)

O ritmo pachorrento de Tarfaya, onde o trânsito é quase um exclusivo de Land Rovers e carroças puxadas por burros, já nos conquistou. Se não fosse pelo projecto dos 1000 euros, o mais certo era ficarmos por aqui mais tempo. Sentimo-nos praticamente em casa, temos um grupo de amigos, até já conseguimos quebrar o gelo com duas marroquinas, depois de dois meses quase sem ouvir uma voz feminina.

Mas a estrada chama-nos, a Mikelina e a Penelope começam a ficar inquietas, as tendas estão a ganhar uma fina camada de pó do deserto – e o mais certo é voltarmos a pedalar até ao final da semana.

Noticia de ultima hora!

Ja podemos finalmente rever a Penélope e a Mikelina a chiarem pelo Sahara fora. Ainda tentamos mas o clip semanal, com todas estas imagens, so estara pronto a noite. Até la!

sábado, 26 de abril de 2008

Já temos computador

Computador, apartamento, emprego e até mulher-a-dias para arrumar e fazer almoço. Confusos? Também nós, quando fomos à procura do Sr. António, curiosos porque achávamos ser um português a viver em Tarfaya. Demos de caras com um espanhol das Canárias, nos seus sessentas, uma espécie de Sousa Sintra cá do sítio, cheio de ideias, projectos e investimentos. Com as finanças a apertar e o computador em intermináveis convalescenças, acabámos por lhe propôr uma permuta: um blog e algumas marketices a troco de um T2 – as mordomias foram ideia dele. Diga-se: uma boa ideia.

Tarfaya – um lugar meio-perdido entre o deserto e o mar, onde em tempos viveu Antoine de Saint-Exupery – já bateu o nosso recorde de permanência. E parece que estamos para ficar: é que além dos novos compromissos profissionais, temos todo o trabalho da semana em atraso. O computador ainda não está a 100%, acreditamos sinceramente que nos vai dar mais umas poucas chatices, mas com alguma ginástica vai lá.

Mais uma vez, um passo-atrás transformou-se num passo-ao-lado. Quando o computador crashou, subimos paredes, quase atirámos tudo ao mar, gritámos mais alto que o chamamento da mesquita; mas passados uns dias, e ainda sem grandes razões para festejar em termos de equipamento, já arranjámos um grupo de amigos que é de chorar a rir, acampámos numa cabana de pescadores numa suposta pescaria que de peixe não teve nada, conhecemos o Sr. António, temos trabalho e boas perspectivas para novas aventuras.

Encalhados no Sahara Ocidental… sem custos? Nada mau! A Mauritânia terá de esperar mais uns dias.

Quanto ao video novo, está pronto... mas o "novo" computador tem "tiques" que nos surpreendem constantemente - por isso ainda estamos às voltas com a conversão de formatos, etc. Deve estar disponivel hoje ao fim da tarde. E enquanto o Mohammed tenta resolver mais umas coisas do Premiere, vamos tirar meia-hora e dar uma vista de olhos aos videos antigos. Não sei se é do calor do Sahara ou de estarmos há tanto tempo em Tarfaya, mas hoje acordámos com uma nostalgia enorme de todas as aventuras vividas nos primeiros 2 meses. E já deu para lembrar muita coisa, porque acordámos às 5 da manhã, para ir filmar a largada de 6 mil pombos-correio, que iam fazer uma espécie de corrida até às Canárias... mas o evento foi adiado por motivos climatéricos.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Vamo-nos dedicar a pesca!




Quem diria que o maior momento de stress da viagem (pelo menos ate agora) seria um virus no computador? Ainda se fosse uma tempestade de areia, uma praga de gafanhotos, um coice dum camelo nas temporas... ainda tinhamos uma historia para contar aos netos - mas pedalar até ao Sahara Ocidental, comprar um lenco Tuaregue e depois apanhar um virus no computador é deveras frustante. Ontem a noite recomecamos a editar os filmes que temos pensados - e qual nao foi a surpresa quando a nossa maquina teve uma recaida. Nao sabemos bem o que e, mas voltou ao senhor doutor. E nos a espera.

Como diria o Mohammed, o pescador-guru da citacoes, "se o mar esta bravo, nao podemos pescar; se nao ha trabalho, somos livres!"

Resultado: nao temos computador, vamo-nos dedicar a pesca! Fomos convidados por uns amigos Sahauris para uma pescaria e futebolada, numa praia aqui perto. Deixamos alguns momentos da ultima semana, hoje a noite teremos mais novidades.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Ansiedade

O computador esta neste momento a ser formatado. Esperamos ansiosamente que saia da sala de operacoes, preve-se que tenha alta depois do almoco. Se assim for, ate ao fim da tarde deixamos aqui umas fotos.

Entretanto, lembram-se dos portugueses que conhecemos ha umas semanas e que foram de carro ate Bissau? Hoje partilhamos parte de um email deles, com algumas impressoes sobre a viagem - e duas fotos, que nos deixaram de agua na boca e cheios de vontade de descer rapidamente em direccao a Mauritania.




A nossa viagem foi demasiado rápida. Andávamos entre 300 e 600 Kms por dia. Mas chegámos a Bissau em 11 dias, com o carro em mau estado, principalmente por causa da caixa de velocidades. Acho que entrou areia ao longo do caminho, na Mauritania, porque atravessámos o país sob uma tempestade de areia que, só para terem uma ideia, comeu a pintura do carro.

Percebemos porque é que as pessoas fazem algumas coisas que à primeira vista nos parecem ridículas, mas que têm um fundamento, e é curioso ver como se adaptam ao meio e com o que têm à disposição. Por exemplo: os carros andam com uma protecção de pele nos farois (os nossos ficaram baços com a areia). Espalham massa consistente na frente do carro para não ficarem sem pintura (como nos aconteceu a nós). A ventoinha do radiador está montada por trás (a nossa gripou e tivemos que comprar outra a um mecânico em Nouakchott). Enfim. Mas tudo faz parte.




Mais uma história que se passou connosco: entre Nouadibou e Nouakchot, parámos numa pequena estação de serviço onde se podia tomar um café e tudo (um luxo). Acabámos de tomar o café e seguimos viagem. Uns 100 kms à frente, num dos vários controlos militares, encostámos à berma, mostrámos os passaportes... o normal. Entretanto, sai da barraca um tipo com o telemóvel no ouvido. Vem ter connosco e pergunta-nos se estivemos na estação de serviço e se bebemos um café. Nós respondemos que sim e ele diz-nos - NÃO PAGARAM!!! Ficámos a olhar uns para os outros e levámos as mãos à cabeça. Ninguém se tinha lembrado de pagar o café. Pedimos mil desculpas e perguntámos quanto é. Ele diz-nos 2.500 Ouguias. OK, começámos a juntar o dinheiro... NÃO TINHAMOS DINHEIRO PA PAGAR TUDO!!! só tinhamos 2.000. Imaginem a nossa cara, isto já com 5 ou 6 militares à nossa volta... E então um deles diz: OK, eu ponho o que falta, vão-se lá embora. E nós fomos... no comments

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Lisbon... we have a problem.

Andavamos preocupados com espigoes infectados por carracas e afinal o maior foco de infeccoes estava no nosso proprio bolso – numa pen.

Chegados a Tarfaya, depois de 4 dias memoraveis a pedalar no deserto, traziamos o entusiasmo de partilhar, no clip desta semana, as paisagens brutais que atravessamos. Mas o computador - lento como um burrito marroquino carregado de tralha - comecou a abrir janelas estranhas e inesperadas. Fomos pedir socorro ao cyber mais perto do hotel... e acabamos em mais um filme de viagem: passamos a noite numa mercearia, o Carlos ao balcao a vender cigarros a vulso, substituindo o Wadia – um miudo de 16 anos, buco gigante e que com o Jorge mergulhara em frente ao computador nesta batalha anti-viral.

Muita parra e pouca uva. A noite foi passando e o Wadia nunca mais tirava um anti-virus ou outra tecnica da cartola. Vimos o fime do seu 14. aniversario – que acabou com cadeiras de plastico a voar - comemos Harira e marshmallows... divertimo-nos, mas o computador ficou na mesma. De regresso ao hotel, tivemos a sorte de conhecer o Mohammed, que passou 7 anos em New York depois de ganhar um "green card" na lotaria. Pediu-nos a pen e em breves momentos ouvimos guinchos tenebrosos tipo matanca do porco – os primeiros de 217 virus aniquilados na pen! O computador esteve dois dias nos cuidados intensivos, mas mesmo assim chegamos a conclusao que vai ter que ser formatado.

Clip adiado, entrada na Mauritania adiada... enviamos mais noticias em breve.