quinta-feira, 22 de maio de 2008

Arrancámos para o Cabo Bojador de Foum Al Oued – a praia perto de Laâyoune – e tirámos da cartola um recorde de 107km logo no primeiro dia. E foi mesmo da cartola, já que as nossas pernas ainda andavam amolecidas pela vida urbano-sedentária de Tarfaya – casa, escritório, casa, naquele stress que todos sabemos. Mas uma valente nortada deu-nos o empurrão que precisávamos, e fomos à vela com umas pedaladas tipo turbo pelo meio.

Chegámos ao Bojador – uma cidade sem o brilho das outras no Sahara Ocidental – e não conseguimos esconder os sorrisos, à medida que o ego inchava. Finalmente estávamos nesse Cabo que Portugal dobrara, quebrando mitos de monstros marinhos e fazendo história pela mão da sua imensa coragem, audácia e sabedoria. E lá fomos à procura do glorioso passado português.

“Monsieur, vous savez c’est out le Cap Boujdour?”

“Le Cap Boujdour? Quel Cap? Il N’y a pas un Cap ou Boujdour!”

Rimo-nos para dentro, explicámos que éramos portugueses e que concerteza havia um Cabo com esse nome já que os nossos antepassados o tinham dobrado pela primeira vez há 500 e muitos anos, num marco que redefiniria para sempre o curso da humanidade!

“Un Cap ou Boujdour…? Je croix pas…”

Continuámos à procura sem sucesso, ninguém conhecia um cabo na zona – velhos, novos, polícias ou estudantes – e arrancámos cabisbaixos para a infinita sabedoria da wikipedia. Estava lá tudo em detalhe – até imagens de satélite – e espante-se, era mesmo ali a um passo do centro da cidade!

Arrancámos airosos e nas nossas cabeças já podíamos ver uma imensa “boca do inferno”, quem sabe até um monumento a Portugal. Nada mais errado. Chegámos, olhámos à volta, e era uma brochura das Seychelles, com um casal de namorados a fazer um piquenique, e vários barquitos de pescadores a dobrarem calmamente o Cabo Bojador carregados de peixe. Estaríamos no sítio errado? Ainda não sabemos, mas acabámos o dia a “viajar” para o Jardim do Adamastor, no Miradouro de Sta Catarina em Lisboa, com uma cerveja gelada sobre o Tejo. Quando voltarmos, estamos lá!

by Carlos

4 comentários:

Anónimo disse...

Rapazes:
O Cabo Bojador deixou de ser Português e passou a Espanhol a partir do tratado de Tordezilhas no sec XV, até aí tudo bem.
Mas como as águas se tornaram tão amenas é que é um misterio.
Então e o Mostrengo ,gloria dos Portugueses, nunca existiu?
Abraços !

Gisela disse...

E eu cá te espero no Adamastor, eu e as loiras e o meu....... Mil beijos é sempre bom sentir a vossa energia.

Mangelovsky disse...

Caros viajantes:

O monstro Adamastor vivia no Cabo da Boa Esperança (Cidade do Cabo, África do Sul) e não no Cabo Bojador. Se ele ainda for vivo, vão encontrá-lo por lá.

Continuação de boas viagens.
Abraços.

humming disse...

E eu agora a ler-vos em casa, ao pé do Adamastor, miradouro de Santa Catarina, a desejar estar onde vocês estavam... Ai os copos meio cheios... ;)