sexta-feira, 6 de junho de 2008



Peixe fresquinho, grelhado na rua à boa maneira portuguesa.


Seis da manhã, são quase horas de partir.



Areia do Sahara – um “souvenir” dentro do nosso orçamento.



Pausa para apreciar o deserto.





Do outro lado do rio fica o Senegal.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

terça-feira, 3 de junho de 2008

Senegal, km 1

48 horas depois (3/3)

Atençao: algumas passagens deste texto têm direito a bolinha no canto superior direito.

Parte 3 (de 3)
Estrelinha com bolinha

Domingo, 1 de Junho

Onde é que está a nossa estrelinha, agora que precisamos tanto dela?

...

Onde?

Ah... sim... aqui... no passaporte... vejam lá bem as datas, se faz favor... não terão feito confusão com os dias?

Eis a primeira surpresa do dia: o visto não acaba amanhã. Não resolve todos os nossos “problemas”, mas ajuda. Temos mais um dia – ou seja, afinal vai dar para pedalar até Diama, mesmo que o vento continue de lado. O orçamento é que se mantém, o que implica alguma ginástica para esticá-lo por mais 24 horas. Não é o fim do mundo, podia ser pior – se ao menos as dores passassem...

Dormimos um pouco a seguir ao almoço. E voltámos à estrada, depois de um grupo de míudos nos ter vindo pedir tudo e mais alguma coisa. Fizemos 12km – a paisagem, ao contrário do vento, está a mudar aos poucos. Há mais árvores, a areia das dunas é mais alaranjada, o deserto começa a ganhar vida.

Temos os “turbantes” berberes enrolados à volta da cabeça, para nos protegermos do calor. A berma da estrada está cheia de cadáveres de camelos, burros e cães, atropelados, em vários estados de decomposição.

Muito lixo.

E de repente...

De repente uma pickup abranda e pára ao nosso lado, o vidro automático abre-se silenciosamente e uma brisa fresca de ar condicionado acaricia-nos o rosto estupefacto. O estrangeiro que vai a guiar pergunta-nos:

“Vêm de onde?”

“Lisboa.”

“E vão para onde?”

“Dakar.”

“Eu também vou para Dakar! Entrem!”

(Obrigado, estrelinha.)

Arrumámos as bicicletas e a bagagem na parte de trás da pickup e cumprimentámos o senegalês e a mauritana que viajavam com o Fabriccio, um italiano que vive entre Milão, Casablanca, Nouakchott e Dakar. E arrancámos, pois claro. Ao som de UB40, a beber sumo de ananás e a comer M&Ms – que bela reviravolta!

Não fomos com o Fabriccio até Dakar, claro. Por muito que ele não compreendesse a pancada estranha de dois tugas a viajar com 1000 euros até Dakar, tivemos de declinar o convite, e descemos em Saint Louis.

Que viagem! Ao som de Talking Heads, James Brown e The Doors, vimos a paisagem a mudar radicalmente, à medida que atravessámos, literalmente a voar, os 115km que faltavam até Rosso, a principal fronteira com o Senegal. Sobravam apenas 80, numa estrada de terra batida, até Diama – uma fronteira mais pequena, mais calma, teoricamente sem agentes corruptos.

E que 80km! Por muito que nos digam que o Rally foi cancelado, nao nos convencem - o Lisboa-Dakar 2008 aconteceu, e nós estávamos dentro do único carro que completou a única etapa realizada. Rosso – Diama.

A contabilidade final, ao chegarmos à fronteira, era de 2 pássaros, uma cabra e um cão atropelados. A cabra sobreviveu sem ferimentos, foi só uma pancada – já o cão e os passaros não tiveram tanta sorte. A namorada mauritana ameaçou saltar borda fora umas 328 vezes, as bicicletas e as malas ameaçaram saltar borda fora umas 328 vezes... e entre buracos e saltos, saídas de pista e muitos sustos (uns 328!), chegámos à fronteira com o Senegal em grande, com público a aplaudir e tudo.

Antes de chegarmos a Saint Louis, ainda houve tempo para mais uma peripécia: umas crianças tinham montado uma barreira na estrada, com baldes e paus, de maneira a ninguém conseguir passar, seja em que sentido. Assim que o Fabriccio parou o carro, aproximaram-se uns 7 ou 8 putos. Quando ele lhes perguntou o que se passava, responderam que se queria atravessar, tinha de pagar portagem.

Reacção imediata: mandou-os a Um-Certo-Sítio e pé no acelerador, com uma gargalhada deixou para trás uma “portagem” desfeita e um grupo de miúdos boquiabertos.

É verdade! Caso não tenham reparado... foi tudo tão rápido e inesperado... já estamos no Senegal! E a parte do público a aplaudir era só a brincar.

Amanha publicamos o video desta semana, que inclui imagens da viagem de carro.

Rota Che Guevara na RTP1

O filme da viagem "Na Rota de Che Guevara", dos nossos amigos Nuno e Tatiana Leotte, vai ser exibido na RTP1, no proximo sabado dia 14 de Junho, pelas 23:15.

O Nuno e a Tatiana viajaram de mota na America do Sul, em 2007, seguindo o "rasto" do Che Guevara. O filme so pode ser bom.

Muitos parabens! Temos pena de nao poder assistir, pois nesse dia devemos estar em Tarfaya, ja no regresso a Lisboa... mas combinamos um jantar assim que chegarmos. Pagam voces! ;)

48 horas depois (2/3)

O despertador acordou-nos às 05:30, mesmo a tempo de ouvirmos o chamamento da mesquita. Ainda estava escuro, mas a determinação era muita – e o tempo restante no visto, pouco. Amanhã temos de sair da Mauritânia, não há tempo a perder.

Parte 2 (de 3)
E Tudo o Vento Mudou

Domingo, 1 de Junho

Começámos a pedalar assim que o sol apareceu no horizonte. O vento mudou e agora dá-nos de lado. Mudou tudo, por isso: vamos avançar mais devagar que o planeado, o que quer dizer que não vamos conseguir cumprir a distância toda a pedalar. Amanhã ao fim da manhã, estejamos-onde-estivermos, vamos ter de apanhar uma boleia ou chamar um taxi. E pagar, claro. Será que as 5000 Ouguias vão dar para tudo?

O Jorge continua a queixar-se com dores nos joelhos. As costas do Carlos também não estão melhor. E com o vento de lado, o esforço é maior.

São 13:30. Parámos para almoçar. Fizémos 50km desde as 06:30 – é pouco, com vento de costas teríamos feito mais uns 30. Por este pedalar, não temos mesmo outra opção senão pedir boleia.

Onde é que está a nossa estrelinha, agora que precisamos tanto dela?

Parte 3: hoje ao fim da tarde

domingo, 1 de junho de 2008



O tempo passado em Zouérate foi curto. Entre o ir-e-vir do maior comboio do mundo, estivemos em casa do Sidi apenas um dia, uma noite e uma manha. O suficiente para tiramos algumas das melhores fotografias de toda a viagem. Ficam alguns momentos - 22! - foi dificil fazer a selecçao. A maior parte foi tirada numa das salas da casa, aparece o Sidi e as mulheres da familia - ao contrario do que acontece em Marrocos, as mulheres mauritanas nao tem qualquer problema em ser fotografadas.






















48 horas depois (1/3)

Numa viagem tao cheia de peripécias e aventuras dignas de registo, seria facil chegar à "recta final" e acreditar que pouco mais podia acontecer. Nada mais errado. E as ultimas 48 horas sao o exemplo vivo disso: um taxi com 7 pessoas a bordo, deserto, vento e caes atropelados sao so alguns ingredientes da historia que vamos contar hoje e amanha, em 3 partes.

Suspense! Horror! Acçao! Sera que a nossa trilogia tem um final feliz? Logo veremos.

Parte 1 (de 3)
Contas à Vida

Sabado, 31 de Maio

Foi um dia muito cansativo. Acordamos as 5:30 para sair cedo de casa. Temos de sair depressa da Mauritania, o visto acaba na segunda-feira. Como ontem nao nos despachamos a horas para ir de autocarro, saimos de Nouadhibou de taxi, um Mercedes apinhado de gente e bagagem. Para tras deixamos o Joaquim e o Djalo, dois novos amigos que contamos reencontrar no regresso, daqui a pouco tempo.

No carro: o condutor e nos 2 à frente, 3 mauritanos e um maliense (?) atras, o porta-bagagens a abarrotar de... bagagem, com a Mikelina e a Penelope por cima, presas com cordas, a desafiar as mais basicas leis da fisica.

Foram quase 500km de deserto, pequenas tempestades de areia, muito vento e restos de carros a polvilhar a paisagem. Nada encorajador, ainda bem que nao viemos de bicicleta. Nesta fase da aventura, em que o preço do km baixou vertiginosamente, nao compensa.

Adiante: chegamos a Nouakchott, a capital da Mauritania, ao principio da tarde. Curiosamente, bastante mais cansados e doridos que na maioria dos trajectos feitos em bicicleta. Mas a vontade de pedalar era tanta, que foi so comer qualquer coisa e ja estavamos na estrada outra vez. Com o vento a favor, fizemos 40km e paramos para descansar e beber um cha numa loja à beira da estrada.

Acabamos por nao avançar mais. Ficamos à conversa com as senhoras da loja, depois o marido de uma delas convidou-nos para ficar, arranjamos um alpendre e ai nos instalamos.

Sao oito e meia, vamo-nos deitar. Estamos tao cansados que nem coragem temos para cozinhar o jantar. Comemos sardinhas no pao e Coca-Cola. O Jorge queixa-se de dores num joelho, e o Carlos das costas. Precisamos de umas boas horas de sono - mas amanha temos de sair cedo.

Temos 5000 Ouguias no bolso (13 euros) para os dois, e restam-nos 2 dias de visto. Faltam 250km ate à fronteira com o Senegal - 170 ate Rosso, 80 ate Diama. Se o vento continuar a favor, nao é impossivel. Amanha logo se ve.

Parte 2 - amanha de manha
Parte 3 - amanha à tarde



Originario da Guiné Konakry, o Djalo esta a "viver a sua aventura" desde os 17 anos. Tem 27, neste momento, e vive ha 3 na Mauritania, onde criou uma rede de 30 casas a quem "vende" um serviço de parabolicas - e uma especie de Sr. TV Cabo. Cada casa tem direito a 9 canais, mas é frequente alguém ligar-lhe, mesmo a altas horas da noite, a pedir para mudar de canal.


Na sua passagem pelo Gabao, ha uns anos, o Djalo foi barbeiro e criou uma especie de lobby de cabeleireiros estrangeiros. Nao praticava ha algum tempo, mas foi de bom grado que nos cortou o cabelo.



E assim andavamos pelas ruas de Nouadhibou, rasgando o transito de carros meios-desfeitos, a 3 nesta acelera com matricula de Portimao.


Carlos e Djalo na gare do maior comboio do mundo.


O "bufette" da Astu, mesmo ao lado de casa, era o nosso segundo poiso.