Peixe fresquinho, grelhado na rua à boa maneira portuguesa.
Seis da manhã, são quase horas de partir.
Areia do Sahara – um “souvenir” dentro do nosso orçamento.
Pausa para apreciar o deserto.
Do outro lado do rio fica o Senegal.
O filme da viagem "Na Rota de Che Guevara", dos nossos amigos Nuno e Tatiana Leotte, vai ser exibido na RTP1, no proximo sabado dia 14 de Junho, pelas 23:15.
O Nuno e a Tatiana viajaram de mota na America do Sul, em 2007, seguindo o "rasto" do Che Guevara. O filme so pode ser bom.
Muitos parabens! Temos pena de nao poder assistir, pois nesse dia devemos estar em Tarfaya, ja no regresso a Lisboa... mas combinamos um jantar assim que chegarmos. Pagam voces! ;)
O despertador acordou-nos às 05:30, mesmo a tempo de ouvirmos o chamamento da mesquita. Ainda estava escuro, mas a determinação era muita – e o tempo restante no visto, pouco. Amanhã temos de sair da Mauritânia, não há tempo a perder.
Parte 2 (de 3)
E Tudo o Vento Mudou
Domingo, 1 de Junho
Começámos a pedalar assim que o sol apareceu no horizonte. O vento mudou e agora dá-nos de lado. Mudou tudo, por isso: vamos avançar mais devagar que o planeado, o que quer dizer que não vamos conseguir cumprir a distância toda a pedalar. Amanhã ao fim da manhã, estejamos-onde-estivermos, vamos ter de apanhar uma boleia ou chamar um taxi. E pagar, claro. Será que as 5000 Ouguias vão dar para tudo?
O Jorge continua a queixar-se com dores nos joelhos. As costas do Carlos também não estão melhor. E com o vento de lado, o esforço é maior.
São 13:30. Parámos para almoçar. Fizémos 50km desde as 06:30 – é pouco, com vento de costas teríamos feito mais uns 30. Por este pedalar, não temos mesmo outra opção senão pedir boleia.
Onde é que está a nossa estrelinha, agora que precisamos tanto dela?
Parte 3: hoje ao fim da tarde

O tempo passado em Zouérate foi curto. Entre o ir-e-vir do maior comboio do mundo, estivemos em casa do Sidi apenas um dia, uma noite e uma manha. O suficiente para tiramos algumas das melhores fotografias de toda a viagem. Ficam alguns momentos - 22! - foi dificil fazer a selecçao. A maior parte foi tirada numa das salas da casa, aparece o Sidi e as mulheres da familia - ao contrario do que acontece em Marrocos, as mulheres mauritanas nao tem qualquer problema em ser fotografadas.
Numa viagem tao cheia de peripécias e aventuras dignas de registo, seria facil chegar à "recta final" e acreditar que pouco mais podia acontecer. Nada mais errado. E as ultimas 48 horas sao o exemplo vivo disso: um taxi com 7 pessoas a bordo, deserto, vento e caes atropelados sao so alguns ingredientes da historia que vamos contar hoje e amanha, em 3 partes.
Suspense! Horror! Acçao! Sera que a nossa trilogia tem um final feliz? Logo veremos.
Parte 1 (de 3)
Contas à Vida
Sabado, 31 de Maio
Foi um dia muito cansativo. Acordamos as 5:30 para sair cedo de casa. Temos de sair depressa da Mauritania, o visto acaba na segunda-feira. Como ontem nao nos despachamos a horas para ir de autocarro, saimos de Nouadhibou de taxi, um Mercedes apinhado de gente e bagagem. Para tras deixamos o Joaquim e o Djalo, dois novos amigos que contamos reencontrar no regresso, daqui a pouco tempo.
No carro: o condutor e nos 2 à frente, 3 mauritanos e um maliense (?) atras, o porta-bagagens a abarrotar de... bagagem, com a Mikelina e a Penelope por cima, presas com cordas, a desafiar as mais basicas leis da fisica.
Foram quase 500km de deserto, pequenas tempestades de areia, muito vento e restos de carros a polvilhar a paisagem. Nada encorajador, ainda bem que nao viemos de bicicleta. Nesta fase da aventura, em que o preço do km baixou vertiginosamente, nao compensa.
Adiante: chegamos a Nouakchott, a capital da Mauritania, ao principio da tarde. Curiosamente, bastante mais cansados e doridos que na maioria dos trajectos feitos em bicicleta. Mas a vontade de pedalar era tanta, que foi so comer qualquer coisa e ja estavamos na estrada outra vez. Com o vento a favor, fizemos 40km e paramos para descansar e beber um cha numa loja à beira da estrada.
Acabamos por nao avançar mais. Ficamos à conversa com as senhoras da loja, depois o marido de uma delas convidou-nos para ficar, arranjamos um alpendre e ai nos instalamos.
Sao oito e meia, vamo-nos deitar. Estamos tao cansados que nem coragem temos para cozinhar o jantar. Comemos sardinhas no pao e Coca-Cola. O Jorge queixa-se de dores num joelho, e o Carlos das costas. Precisamos de umas boas horas de sono - mas amanha temos de sair cedo.
Temos 5000 Ouguias no bolso (13 euros) para os dois, e restam-nos 2 dias de visto. Faltam 250km ate à fronteira com o Senegal - 170 ate Rosso, 80 ate Diama. Se o vento continuar a favor, nao é impossivel. Amanha logo se ve.
Parte 2 - amanha de manha
Parte 3 - amanha à tarde

Originario da Guiné Konakry, o Djalo esta a "viver a sua aventura" desde os 17 anos. Tem 27, neste momento, e vive ha 3 na Mauritania, onde criou uma rede de 30 casas a quem "vende" um serviço de parabolicas - e uma especie de Sr. TV Cabo. Cada casa tem direito a 9 canais, mas é frequente alguém ligar-lhe, mesmo a altas horas da noite, a pedir para mudar de canal.
Na sua passagem pelo Gabao, ha uns anos, o Djalo foi barbeiro e criou uma especie de lobby de cabeleireiros estrangeiros. Nao praticava ha algum tempo, mas foi de bom grado que nos cortou o cabelo.
E assim andavamos pelas ruas de Nouadhibou, rasgando o transito de carros meios-desfeitos, a 3 nesta acelera com matricula de Portimao.
Carlos e Djalo na gare do maior comboio do mundo.
O "bufette" da Astu, mesmo ao lado de casa, era o nosso segundo poiso.